quarta-feira, 19 de setembro de 2018

E finalmente vou começar a trabalhar!

Fiz um concurso em 2014 para a Prefeitura de Recife, para Agente Administrativo Escolar, que é para trabalhar em secretarias de escolas ou creches. O resultado foi homologado em janeiro de 2015, e tinha 2 anos de validade prorrogável por mais 2 anos. Foram 300 vagas, e até aqui eles tinham chamado apenas umas 40 e poucas pessoas. O tempo estava passando, faltava só 5 meses para o prazo acabar de vez e ainda mais de 250 pessoas para serem chamadas. Mas finalmente eles chamaram, no dia 1 de setembro, demorando 3 anos e 8 meses para me chamarem. Finalmente vou começar a trabalhar e ganhar dinheiro! 😁 🤑 (Ainda faltam mais umas 200 pessoas para serem chamadas).

Já fiz os exames que eles pediram e o exame admissional. Ainda essa semana vai ter a posse, que é o dia da entrega de documentos e assinatura das coisas lá. Semana que vem descubro em que escola ou creche vou ficar. Parece que a preferência é para creches, o que não agradou muito os outros nomeados (criaram um grupo no WhatsApp só para quem foi nomeado agora, para conversar sobre o processo e trocar informações), porque as creches geralmente são em lugares distantes e de difícil acesso. Mas na reunião que teve na sede da prefeitura, a mulher da Gestão de Pessoas disse que iria abrir vagas em todas as RPA’s. RPA é um grupo de bairros. São no total 6 RPA’s, ou seja, 6 grupos, e dentro deles, vários bairros, uns mais pertos de casa, outros mais longes, uns bairros nobres, outros bairros pobres, uns bairros decentes, outros perigosos. No dia da lotação, que é o dia que vamos saber onde vamos ficar, cada um vai poder escolher onde quer ficar, dependendo da classificação no concurso e da ordem de chegada lá. E claro, pode escolher dentro da lista que eles derem como as escolas/creches disponíveis. Espero poder ficar num lugar bom (é o que todo mundo espera na verdade rs).

Mas independente disso, estou feliz. Várias vezes durante esses 3 anos e 8 meses eu desanimei, sem saber se eles ainda iriam chamar, porque eram muitas pessoas para serem convocadas, e o prazo de validade do concurso acabando. Ficava imaginando que seria uma dor de cabeça o prazo acabar e eu ter que ir para a Justiça, esperar no mínimo mais 1 ano. Um dia vi na televisão que um concurso da Polícia de algum estado aí, não chamou e o processo ficou na Justiça durante 20 anos, até que todos foram chamados. Muitos eram jovens quando passaram e agora já estavam com seus 50 anos. Mas essa é uma exceção, porque teve muitas complicações com esse concurso, por isso esse tempo todo na Justiça.

A família do meu pai não acreditava que eu seria chamado. Um dia quando eu disse que não estava mais procurando emprego porque estava esperando pelo concurso, uma tia me repreendeu dizendo que eu não deveria querer começar do alto, e sim começar de baixo. Fiquei calado, mas nada a ver o que ela disse. Eu já tinha passado no concurso, o que quer dizer que era algo mais garantido do que eu simplesmente fazer a prova e achar que passei. E o meu trabalho não é alto, e sim baixo. Outro dia um tio policial fez terror para os meus pais dizendo que se a prefeitura não chamasse dentro do prazo, nem adiantava botar na Justiça porque eles compravam os juízes. E outras vezes, que falavam abertamente que a prefeitura não iria chamar porque o prazo é de 2 anos e não de 4. Nesses momentos a minha mãe dizia (eu quase não vou lá na casa da minha avó, por esse e outros motivos, que envolvem sempre me colocar para baixo) que o prazo tinha sido renovado para mais 2 anos, mas ninguém parecia acreditar.

Depois que fui nomeado no Diário Oficial, marquei o médico no plano que a minha avó paga para mim e uns primos, desde que nasci. Mas o meu nome está escrito errado desde sempre, e somente ela é que podia ir lá no centro administrativo do plano e mudar, porque era a titular. Pedi para ela mudar, para evitar problemas na prefeitura, mas antes disso, ela resolveu consultar a vizinha, que vendeu o plano para ela, e o resto da família, que disse que eu não precisava fazer os exames pelo plano porque fica tudo por conta da empresa, porque foi assim como todo mundo e seus empregos. Só que na reunião a mulher da Gestão de Pessoas disse que os exames eram por conta de cada um, e lembro também de ver o caso de um colega que passou no concurso para guarda municipal da Prefeitura de Recife, que também teve que pagar seus exames. Mas claro, todo mundo sabe mais do que eu, o próprio que passei e peguei as informações. Só depois que disse a ela as informações que tinham dito na reunião, foi que ela, ainda meio relutante, disse que iria comigo e com meu pai no carro para mudar meu nome. Ainda bem que deu tudo certo no final.

Sobre a procura de empregos, eu tentei várias vezes, mas nunca consegui nada. Antes do concurso, eu abria os sites e blogs de emprego todos os dias e mandava currículo para as vagas que não exigiam experiência, ou que pelo menos não citavam esse requisito. Eu não tinha nem sequer uma resposta, e muito menos entrevistas. Foram pouquíssimas as entrevistas que fiz ao longo do tempo, e nunca fiquei em nenhum. A única coisa que consegui foi um estágio de 6 meses, e depois mais nada. De vez em quando eu ia no centro de Recife e nos shoppings deixar currículos nas lojas para trabalhar de qualquer coisa. Atendente, auxiliar de loja, vendedor, etc. Também nunca consegui nada. Eu ficava muito frustrado. Do que adiantava tanto estudo? O que adiantava tanto esforço na escola para tirar notas boas? Um menino que estudou comigo na 5ª e 7ª série (hoje 6º e 8º ano), e também no curso do Senai e no 2º ano do Ensino Médio, e que era um dos que faziam bullying comigo, e que sempre bagunçava, filava nas provas, tirava notas vermelhas, sempre ficava em recuperação, conseguiu emprego num escritório de contabilidade, e eu não. Ele também fez a faculdade comigo, mas nessa época ele me deixou em paz (foi na época da faculdade que ele conseguiu esse emprego). Enquanto eu, o certinho, o estudioso e esforçado, que só tirava notas boas, nunca consegui nada. A única coisa concreta que consegui estudando foi esse concurso.

É injusto, mas foi aí que percebi o quanto o nosso sistema educacional é falho, fraco e inútil, porque só foca nas coisas desnecessárias. Fazem os alunos engolirem assuntos e mais assuntos de matérias que são desnecessárias para a vida, que um dia todo mundo vai esquecer tudo e não vai sentir falta, fazem pressão para os alunos tirarem notas boas, para fazerem trabalhos difíceis e no fim de tudo nada daquilo vai servir na hora de arrumar um emprego. Os estudiosos, que tiraram notas boas na escola, não vão ter emprego garantido, então nada daquele esforço serve. E os bagunceiros não conseguem se adequar ao sistema, o que só reforça o seu comportamento ruim. Acho que uma boa ideia de escola é aquela que permite os alunos escolherem as matérias que ele quer estudar, de acordo com sua identificação com elas, e que não tem provas como método de avaliação, nem notas e nem trabalhos difíceis. A escola deve ser um local onde os alunos vão aprender a conviver em sociedade, a fazer escolhas, a respeitar uns aos outros e a trabalhar em equipe quando necessário, principalmente nos dias de hoje, onde os pais são tão permissivos e fazem todos os gostos da criança, que faz ela achar que o mundo está ali para lhe servir.

Eu sofria quando via a quantidade de currículos que já tinha colocado e nada dava certo. Por isso depois que passei no concurso resolvi não procurar mais emprego, e esperar que o concurso chamasse. Eu só não esperava que fosse demorar tanto, por isso ao longo desses 3 anos e 8 meses, quando o desespero e a desesperança batiam, eu ia de novo procurar emprego. Desisti de procurar emprego para auxiliar administrativo na internet, porque percebi que eles sempre pediam experiência, e estágio não é contado como experiência. Então procurava empregos no comércio mesmo, sem ser em áreas administrativas. Eu queria qualquer coisa, desde que estivesse trabalhando (como conheço minhas limitações, não tentava empregos de telemarketing e nem em indústrias, que geralmente tem que pegar peso, e a partir de certo momento também deixei de procurar para vendedor de loja, mas continuei colocando para atendente de loja, restaurante fast food, etc., e auxiliar de loja de roupa, para ficar arrumando as roupas lá). Eu tenho a quantidade de currículos que deixei desde que completei 18 anos e comecei a procurar emprego pela primeira vez. Foram no total 248 currículos, deixados em 5 momentos diferentes (as épocas que eu procurei emprego. A última vez foi em 2017). Desses, eu consegui 13 entrevistas, da qual passei em uma, que foi a do estágio. Nas outras eu não passei, ou por falta de experiência ou porque não passei na dinâmica, ou porque simplesmente não passei mesmo. Quando via que não conseguia nada e só estava me estressando e ficando ansioso em vão, deixava de procurar. Por isso esse número de currículos pode parecer pouco para a quantidade de anos, mas foi porque não procurei em todo o tempo. Claro que eu queria estar trabalhando faz tempo, mas como não conseguia nada, parava de novo e resolvia esperar de novo pelo concurso. Era melhor do que ficar me aperreando. O concurso era a minha última esperança, a esperança de que um dia eu iria trabalhar. Se não fosse ele, e se eu tivesse ainda hoje procurando emprego sem parar, não sei se teria conseguido um emprego. As coisas são muito difíceis.

Mas graças a Deus, que abriu a minha mente para me ajudar a passar nesse concurso, e que, apesar da minha falta de fé, agora fez a prefeitura chamar, eu vou ter um emprego. Mesmo eu tendo também tentado outros concursos melhores depois de ter passado nesse e não conseguido, pelo menos essa foi a porta que Deus abriu para mim, e sou muito grato. Esse é um primeiro passo que vou dar para a realização dos meus sonhos e projetos de longo prazo. Apesar de ser uma porta que Deus abriu para mim, não vejo como algo definitivo, onde vou passar a minha vida toda lá, e sim como um começo, um bom começo, se comparado aos empregos de comércio ou de auxiliar administrativo nas empresas privadas. Quero ter um negócio próprio um dia. Antes disso quero fazer um curso de inglês, e quem sabe fazer um intercâmbio e passar alguns meses fora. Mais para frente, fazer mais uma ou duas faculdades. Viajar pelo mundo. Comprar um apartamento e um carro. Tudo isso espero conseguir daqui a 10 anos. Esse é sonho. Se não conseguir, ou eu passo mais tempo lá, ou corto algumas coisas dessa lista e me foco no principal, que seria o negócio próprio.

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Resenha – O Mágico de Oz (filme) (1939)

O Mágico de Oz - Filme 1939 - Capa DVDTítulo Original: The Wizard of Oz

Título Nacional: O Mágico de Oz

Direção: Victor Fleming, George Cukor, Mervyn LeRoy, Norman Taurog, King Vidor

Gênero: Aventura, fantasia

Duração: 1h41min

Estreia: 18 de setembro de 1939






Em primeiro lugar o que me chamou atenção em O Mágico de Oz foi o visual da terra de Oz, todo colorido, com cores vibrantes. Essas cores fazem um paralelo à vida real de Dorothy, em que foi gravado em cor de sépia, para mostrar o quanto Oz é um lugar diferente de Kansas. O filme tem um tom mais infantil, que deve ser o público-alvo do filme, assim como mostra a mensagem deixada no início do filme, que o dedica aos jovens que nunca se esqueceram da história do Mágico de Oz.

Apesar de esse ser um filme considerado do gênero musical, ele tem poucas músicas, e a duração dele é pequena, o que me surpreendeu, porque todos os filmes clássicos que eu já assisti até aqui tinham durações grandes.

Tecnicamente, o filme é incrível com os seus efeitos especiais, ainda mais para a época em que foi feito, em 1939! Estamos tão acostumados com a tecnologia atual, e em tudo ser feito no computador, que a gente nem imagina que em tempos antigos, onde essas tecnologias não existiam e o cinema em si era a novidade da época, esses tipos de efeitos também poderiam ser feitos, e com um resultado muito bom. Sem computador, tudo era feito manualmente, tanto em relação aos efeitos práticos durante a gravação, como editando o filme diretamente no negativo depois de gravado.

Sobre a história do filme, não gostei da temática de bruxas, duendes, mágico (o Mágico de Oz se apresenta com um visual muito feio e até assustador) e feitiços. No início, quando Dorothy chega em Oz, ela é dada como morta, o que parecia ser um requisito para ser aceita lá. Tudo isso é muito estranho e até macabro. Esse tom do filme me lembrou um pouco o Castelo Rá-Tim-Bum, da Cultura, que fez parte da infância de gerações de crianças, e apesar de ser um programa dito infantil, ele tinha um tom assustador (eu não gostava de assistir e tinha um pouco de medo, e esse sentimento não é algo incomum em relação a esse programa). Por causa dessas características do filme, eu não gostei dele. Poderia ser uma história de fantasia, mas de uma forma mais leve, e não com essas características mais sinistras, que poderiam fazer qualquer criança ter pesadelos de noite. Além de tudo isso, achei a história rasa e simples. A parte técnica é ótima, mas não é só de técnica que um filme vive.

Nota:

domingo, 16 de setembro de 2018

Resenha: Pequena Grande Vida

Pequena Grande Vida - Pôster nacionalTítulo Original: Downsizing

Título Nacional: Pequena Grande Vida

Direção: Alexander Payne

Gênero: Drama, comédia

Duração: 2h16min

Estreia: 22 de fevereiro de 2018









Atenção: esta resenha contém spoilers.

Pequena Grande Vida é um filme chato e sem história. Começa com um casal que quer se tornar pequeno, mas a mulher desiste e abandona o homem. A partir daí Paul passa a ser triste e solitário. Procura por uma nova companheira, mas não acha. Então conhece uma faxineira que lhe obriga a ajudar as pessoas da comunidade onde vive, um lugar que Paul nem imaginava que existia. Depois vem a história que o mundo vai acabar e existe um refúgio para isso, mas Paul e seus amigos decidem não ir, para poder continuar ajudando as pessoas da comunidade. E fim.

São várias pequenas histórias sem continuidade e sem relação uma com a outra, da vida comum de pessoas que vivem numa nova sociedade, que deveria ser um recomeço, mas que têm os mesmos problemas que a sociedade comum sempre teve. Pela falta de conexão entre as histórias, pela falta de continuidade e pela falta de aprofundamento dos personagens, ou seja, pelo roteiro fraco, várias partes do filme são chatas e desinteressantes. Fica difícil gostar da história e se identificar com os personagens.

O filme ainda tenta fazer algumas críticas em relação ao consumismo, às consequências da não preservação do meio ambiente e à desigualdade social, mas como não se aprofunda em nada, elas terminam ficando isoladas e sem sustentação para serem mais bem desenvolvidas.

E ainda tem um erro de escala: quando os personagens estão no barco, na Noruega, as montanhas parecem ser do tamanho real, enquanto deveriam parecer ser bem maiores, já que os personagens que estão no barco são pequenos (assim como o próprio barco).

Nota:

A fama vale a pena?

Às vezes, numa dessas imaginações que invadem a nossa cabeça e nos jogam para um mundo distante da nossa realidade, fico pensando em como seria eu sendo uma pessoa famosa, seja no meio artístico ou em qualquer outro meio. Teria lá as suas vantagens, como você poder ser visto, ser lido, o que você diz poder ser levado em consideração com seriedade. Mas isso tira liberdade. Famosos que têm a coragem de expor a sua opinião é o mesmo que se expor. Eles ficam vulneráveis aos xingamentos, ao ódio e ao julgamento de todas as outras pessoas. Não podem fazer ou falar nada, que aquilo já vai virar um escândalo e parar nos sites de fofocas. Se eu me tornasse uma pessoa conhecida, e nem falo em ser famoso, artista ou nada do tipo, certamente iria preferir me reservar ainda mais do que me expor. Eu gosto de falar a minha opinião sobre as coisas, e esse blog e meu Twitter são provas disso. Mas estando eu nessa situação, a primeira coisa que faria seria apagar todos os meus tweets. Depois excluiria esse blog e os outros, para não deixar nenhum rastro sobre nada. Excluiria todas as minhas postagens do Facebook (que são poucas) e o meu perfil inteiro do Google+, que apesar de eu não usar mais, ele ainda está lá, com as postagens antigas e muita opinião sobre várias coisas relacionadas principalmente à tecnologia. Excluiria também a minha conta do Disqus, por causa de todos os comentários que eu já fiz. Passaria a postar nas redes sociais apenas comentários não polêmicos. Com certeza eu iria sentir falta da liberdade que tenho hoje, de poder me expressar e falar o que quiser, sem vir um mundo de pessoas discutir comigo dizendo porque estou certo ou errado. Iria me privar de escrever aqui nesse blog, que é uma das coisas que eu mais gosto de fazer.

Pensando em tudo isso, será que vale a pena procurar pelo sucesso e pela fama? Claro, você pode ter sucesso sem necessariamente ser famoso, mas vou dar alguns exemplos. Você escreve um livro sobre um tema que domina e gosta. Esse livro faz sucesso e se torna um dos mais vendidos do país, e é até traduzido para outras línguas. Esse é um ótimo motivo para comemorar. Você está ganhando muito dinheiro e se tornando conhecido no Brasil e no mundo. Mas qualquer coisa que você disser agora deverá ser pensado duas vezes, porque a responsabilidade do que você diz cresceu na mesma proporção que a sua fama. O que você disser nas redes sociais pode afetar positivamente ou negativamente outras pessoas, ou pode ofendê-las, ou ainda provocar raiva, já que hoje o mundo é tão dicotômico.

Outro exemplo: você começa a crescer na carreira a ponto de se tornar um executivo de uma grande empresa. Depois vai mudando de uma empresa para outra, de tão disputado que é. Você é um grande conhecedor da economia e frequentemente dá a sua opinião sobre ela. Então você passa a se tornar conhecido publicamente. Qualquer coisa que você fale, além das implicações que falei no parágrafo anterior, ainda podem lhe tornar mal visto para os seus potenciais futuros empregadores, principalmente se a opinião que você falou se refere à política.

Mais um exemplo: você começa a trabalhar fazendo filmes independentes. Você não é famoso, por isso tudo bem comentar o que quiser na internet. Mas ao longo dos anos você começa a ter alguns fãs e públicos cativos, até chegar ao ponto de ser convidado para trabalhar para grandes estúdios de Hollywood. Se você continuar fazendo bons filmes, eles conseguirão fama internacional, e agora você se tornará conhecido e tudo o que disser terá uma exposição bem maior do que antes, quando você fazia filmes independentes apenas para um pequeno público. Um exemplo que posso citar disso é James Gunn, que ficou conhecido ao roteirizar e dirigir os dois filmes de Guardiões da Galáxia. Antes ele não era conhecido, mas depois que fez o primeiro filme dos Guardiões da Galáxia, bombou. Ele era conhecido por ser ativo nas redes sociais e por interagir com seus seguidores (algo raro nesse meio de pessoas conhecidas e famosas). Mas então descobriram alguns tweets antigos dele, desde antes dele ser contratado pela Marvel, fazendo piadas de mal gosto com estupro e pedofilia. Então imediatamente o presidente da Disney o demitiu.

E esse não foi o único caso de pessoas famosas que prejudicaram suas carreiras por causa de tweets antigos que vêm à tona depois de serem achados. Já vi um cantor que teve que dar uma pausa na carreira por causa de tweets antigos, que ele tinha feito anos antes de ser famoso. Jornalistas que tiveram que deixar seus perfis do Twitter privado por causa desse mesmo problema. Ninguém se esconde na internet. E sempre vai ter alguém com muito tempo disponível para vasculhar todas as suas redes sociais para ver as coisas polêmicas que você disse anos e anos atrás. Todas essas pessoas tiveram que lidar com isso e depois continuaram com suas vidas e suas carreiras.

É por isso que eu disse, que se fosse comigo, eu excluiria tudo, para não deixar nenhum rastro. Até porque, coisas que eu disse há 5 anos atrás, não necessariamente quer dizer que é a minha opinião ainda hoje. A gente tá sempre mudando de opinião e aprendendo coisas novas. Mas os que procuram as polêmicas não querem saber disso. No caso, o meu problema nem seria acharem as coisas que disse há anos atrás, já que eu teria esse cuidado de excluir tudo, mas sim de não poder falar mais nada a partir daquele momento. Ou eu me fecharia para evitar polêmicas, ou tomaria coragem para expor minha opinião sobre o que eu quisesse e aceitaria as consequências, como alguns famosos fazem. Mas nenhuma das duas tarefas são fáceis. Uma requer abrir mão da sua liberdade e do que você gosta de fazer (no meu caso, comentar as coisas e escrever). Outra requer ter coragem e não se importar com o que os outros vão dizer acerca do que você disse.

Sinceramente, se eu tivesse percebendo que estou ficando cada vez mais conhecido, não como um blogueiro ou “influenciador digital” (o nome da moda), mas sim por algum trabalho meu (artístico ou não), não saberia qual decisão tomar. Excluir tudo é um primeiro passo, e isso é fácil. Difícil é escolher como você vai se comportar depois disso. E aí vem a pergunta: vale a pena ser famoso? Vale a pena sonhar com isso? Vale a pena perseguir a fama? As respostas para essas perguntas também dependem muito do quanto você gosta de fazer o que faz, e do quanto está disposto a se sacrificar por esse trabalho.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Resenha: Pelé – O Nascimento de uma Lenda

Pelé - O Nascimento de uma Lenda - Pôster nacionalTítulo Original: Pelé - The Birth of a Legend

Título Nacional: Pelé – O Nascimento de uma Lenda

Direção: Michael Zimbalist, Jeff Zimbalist

Gênero: Biografia, drama

Duração: 1h47min

Estreia: 26 de outubro de 2017





Pelé – O Nascimento de uma Lenda é um bom filme. Ele é visualmente bonito, com uma boa direção e boa montagem de cena. A ambientação do lugar onde Pelé vivia quando criança, assim como as roupas que ele, seus amigos e os adultos usavam, mostrando o quanto eram pobres, e o quanto o Brasil ainda era atrasado (a ponto de nem ter gás de cozinha à venda em Bauru) ficaram muito boas.

A única coisa que me incomodou nesse filme foi a mistura de inglês com português. Eles escolheram atores brasileiros para fazer o filme, mas eles falam em inglês, e como se isso fosse pouco, tem algumas palavras que são ditas em português, como “calma”, “meu filho”, “puxa”, dentre outros. Tem também a tentativa se fazer algumas palavras em português soar como no sotaque em inglês, o que deixa as falas bem artificiais, como “mãe”, que soa como “Mae”, um nome próprio de mulher em inglês. O ideal seria ter feito o filme ou todo em inglês ou todo em português, sem misturas. E se essa é uma produção americana, que contratassem atores americanos mesmo, para as falas e sotaques não ficarem artificiais. Ou então que tivessem coragem de fazer o filme todo em português.

Bom mesmo seria se um filme como esse fosse nacional. Como ninguém nunca pensou em fazer um filme do Pelé antes? A resposta é que infelizmente o cinema nacional não é valorizado pelo próprio brasileiro, que quando vai ao cinema para ver algum filme brasileiro, só vê os de comédia, e é por isso que os estúdios só apostam nesse gênero, porque é o mais rentável (e olhe que os filmes brasileiros de comédia são bem ruins, na minha opinião). É difícil ter algum filme de drama que consiga se destacar comercialmente por aqui. No máximo, fora do gênero da comédia, um ou outro de ação consegue se tornar popular, mas sempre com muita safadeza e carregado de palavrão. Esse filme do Pelé tem boa qualidade, ele é todo bem feito, mas imagino que se alguém aqui no Brasil tentasse fazer um filme do Pelé, ele não sairia com essa mesma qualidade. Poderia ser por questão de dinheiro, apesar desse filme ter tido um baixo orçamento, ou por técnica, mas também seria, principalmente, por uma questão de linguagem cinematográfica. O cinema brasileiro tem uma linguagem própria, que de um modo geral não me agrada (com algumas exceções), e que deixa os filmes bem diferentes dos americanos, que estamos mais acostumados.

Algumas cenas do filme me pareceram clichês, como o desenvolvimento da relação de Pelé e Mazzola desde a infância até os últimos jogos da Copa do Mundo de 1958, e a muito frequente repetição da palavra “ginga” como justificativa para tudo. Por isso desconfiei um pouco da veracidade de certas partes do filme (e depois confirmei minhas desconfianças com esse texto do Globo Esporte). Pensei que a cena do pai de Pelé treinando com ele com uma manga também fosse falsa, até ver um vídeo real no final do filme com o próprio Pelé treinando desse jeito. Para ter certeza do que é verdade e do que não é, só lendo uma biografia mesmo. Mas inventar algo que não aconteceu e colocar cenas clichês é algo comum nos filmes, mesmo eles sendo baseados na história da vida de alguém, então essa não é uma crítica que eu faço de como se esse fosse um grande problema para esse filme.

E como disse no começo, Pelé – O Nascimento de uma Lenda é um ótimo filme. Apesar do seu problema com as línguas e dos seus clichês, é um filme melhor do que o cinema brasileiro poderia ter feito – se é que um dia faria, pois não vejo interesse para isso. Se o filme tivesse um orçamento maior e tivesse sido feito por um grande estúdio americano, talvez alguns erros não tivessem sido cometidos. Infelizmente, como esse filme foi feito por uma pequena produtora e não teve uma grande distribuidora por trás fazendo o marketing, não fez tanto sucesso quanto poderia ter feito. Para se ter uma ideia, aqui no Brasil o filme só estreou 1 ano e 5 meses depois da estreia nos Estados Unidos. Mas, apesar de tudo, o filme é bem decente, e eu gostei dele.

Nota:

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sábado, 8 de setembro de 2018

Resenha: Sete Minutos Depois da Meia-Noite (filme)

Sete Minutos Depois da Meia-Noite - Filme - Pôster nacionalTítulo Original: A Monster Calls

Título Nacional: Sete Minutos Depois da Meia-Noite

Direção: J. A. Bayona

Gênero: Drama, fantasia

Duração: 1h48min

Estreia: 5 de janeiro de 2017








Frases de destaque: Nem sempre há o mocinho, Conor O'Malley. E nem sempre também haverá vilão. A maioria das pessoas são os dois.

Porque os humanos são coisas complicadas. Acreditam em mentiras confortáveis mesmo sabendo a verdade dolorida que fez as mentiras necessárias. E no fim, Conor, não importa o que você pensa. O que importa é o que você faz.

Atenção: esta resenha contém spoilers (leves).

O filme toma algumas liberdades criativas em relação ao livro, mas que são poucas. O roteiro do filme foi escrito pelo próprio Patrick Ness, autor do livro, por isso você vai ver um filme que de um modo geral é bem fiel ao livro, e faz o filme ficar tão bom quanto ele, mas que também soube se adaptar à forma narrativa do cinema. A direção de J.A. Bayona é muito boa aqui. Ele vem ganhado cada vez mais oportunidades de dirigir grandes filmes em Hollywood, e vem mostrando o seu talento.

A diferença entre o filme e o livro é que o livro inicialmente tem alguns elementos de terror, mas que depois vão se perdendo e se tornando um suspense, e um drama bem trabalhado e triste. No filme não existe terror ou suspense, apenas drama, que também é bem trabalhado e triste, mas com mais emoção que o livro. O que contribui para isso é a excelente atuação de Lewis MacDougall, que faz Conor, ao mostrar bem os sentimentos de um menino de 13 anos que está vendo a mãe a ponto de morrer, sendo que ela é tudo o que ele tem, já que o pai é ausente, e ele não se dá bem com a avó. Ele é um monstro, com o perdão do trocadilho, na atuação desse filme. Contribui também com a maior emoção a trilha sonora.

Sete Minutos Depois da Meia-Noite - Filme

Quando digo que o filme tem mais emoção que o livro, não quero dizer que ele é meloso, e sim que ele passa o drama e as emoções necessárias para expressar os sentimentos dos personagens e do momento difícil em que estão vivendo. O livro tem emoção, mas de uma forma não apelativa ao choro, e também é dramático, mas senti que o filme passa ainda mais emoção que o livro, e a trilha sonora e a atuação de Lewis contribuem para isso, como já dito. Você ver essa história num filme é diferente de ler, você sente mais o peso dos acontecimentos e dos sentimentos e emoções de Conor. O filme pode até induzir ao choro, mas não é algo forçado. A história é triste o suficiente para isso.

O visual do filme é ótimo, e o Monstro parece bem real. Os outros personagens contam com atores conhecidos para interpretá-los, como Felicity Jones (A Teoria de Tudo, Rogue One: Uma História Star Wars), Sigourney Weaver (Avatar, Os Defensores) e Toby Kebbell (Quarteto Fantástico, Planeta dos Macacos: O Confronto, Planeta dos Macacos: A Guerra), apesar de nenhum deles ter tido grande destaque, já que a história gira em torno de Conor. Liam Neeson, que faz o Monstro, também está ótimo.

Enfim, é um ótimo filme. Também queria destacar a quantidade de espanhóis na produção desse filme, que são muitos (e talvez sejam a maioria, mas não verifiquei), mesmo esse filme tendo sido gravado no Reino Unido e em língua inglesa.

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Nota:

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Resenha: Sete Minutos Depois da Meia-Noite (livro)

Sete Minutos Depois da Meia-Noite - Patrick Ness - Capa livroTítulo: Sete Minutos Depois da Meia-Noite

Autor: Patrick Ness

Editora: Novo Conceito

Número de páginas: 160

Ano: 2011 (edição da capa ao lado é de 2016)









Frases de destaque: A resposta é que não importa o que você acha — disse o monstro —, porque sua mente vai se contradizer cem vezes a cada dia. (...) Sua mente vai acreditar em mentiras agradáveis e ao mesmo tempo vai reconhecer as verdades dolorosas que tornam essas mentiras necessárias. E sua mente vai puni-lo por acreditar nas duas coisas.

Você não escreve sua vida com palavras — explicou o monstro. — Você escreve com ações. O que você pensa não é tão importante. Só é importante o que você faz.

Chamado anteriormente de O Chamado do Monstro, que dá nome ao primeiro capítulo, Sete Minutos Depois da Meia-Noite ganhou esse título, melhor e mais chamativo que o anterior, na minha opinião, depois do lançamento do filme. Na verdade, foi quando eu vi o trailer do filme que me interessei por ele, então resolvi que só assistiria ao filme depois que lesse o livro. Finalmente o li.

O livro tem 160 páginas e é bem curtinho, li praticamente o livro todo em um dia só. A história é muito boa, conseguindo lhe prender do início ao fim, com uma narrativa simples e não cansativa.

A história do livro gira em torno de Conor, um menino de 13 anos que está passando por momentos difíceis em casa e na escola, e então é quando o monstro aparece para lhe ajudar a vencer seus medos. As histórias contadas no livro são dramáticas, e mesmo sendo uma história escrita de uma forma simples, e mesmo sendo um livro infanto-juvenil, ele conseguiu passar todos os dramas fortes. Se fosse um filme eu diria que ele conseguiu passar a emoção sem apelar ao choro com as técnicas normalmente usadas pelos filmes.

O livro também tem suspense e alguns elementos de terror (mas não é predominante) e um humor ácido em alguns momentos.

SPOILER: Uma das partes do livro que mais me chamaram atenção foi em relação ao bullying sofrido por Conor, como se já não fosse pouco o que ele passava em casa. Me identifico muito com ele, porque eu também sofri bullying praticamente a vida toda na escola. Não chegava a apanhar, como Conor ou como comumente é mostrado nos filmes e séries americanos, mas o sofrimento psicológico era o mesmo. A vingança de Conor é o que eu sempre quis fazer, é o sentimento de raiva que estava reprimido dentro de mim, mas nunca tive coragem ou força física para fazer aquilo. Por isso achei essa parte do livro especialmente tocante.


Como eu disse antes, a história do livro é muito boa. Ele não chega a ter uma lição moral propriamente dizendo, como seria em qualquer história de final feliz ou conto de fadas. No início ele tem um estilo que parece que terá essa lição moral, mas a própria narrativa trata de cortar essa expectativa. No fim de tudo, quando você para pra pensar, existem algumas lições ali, sendo que elas não são tão românticas quanto os das outras histórias que conhecemos. Elas são mais realistas e até ensinam sobre a vida. Além das citações que eu destaquei acima, que são muito boas, as outras lições dadas pelo monstro a Conor é a de que a vida nem sempre tem um final feliz, e que temos que aceitar isso, temos que reconhecer isso. Mostra que as pessoas são complexas, e têm atitudes complexas que muitas vezes se contradizem. Mostra que nem sempre uma pessoa é aquilo que ela demonstra ser, e que você pode se enganar com elas. São boas mensagens, envoltas numa história fantasiosa e dramática.

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Nota:

Publicado por Jóckisan às 12:35 em   |   Edit